“Bispo Júlio, me sinto desanimado…”
Foi o que ouvi de um Missionário que precisava de uma orientação.
Não confunda o desânimo humano com a ausência do Espírito Santo.
Um dos erros mais comuns, especialmente entre aqueles que têm pouca experiência na vida cristã ou no Ministério Evangelístico — que é cheio de desafios, de uma rotina intensa e de muitas responsabilidades —, é pensar que, porque um dia se sentem cansados, isso significa ausência do Espírito Santo.
Esse pensamento, misturado com cansaço e sentimento de frustração por não ver o resultado desejado, não vem de Deus. É uma confusão que, se não for repreendida e corrigida, pode abrir portas para dúvidas, irritação e um sofrimento espiritual desnecessário.
O Senhor Jesus não Prometeu que os Batizados com o Espírito Santo nunca sentiriam cansaço, tristeza ou pressão… O que Ele Prometeu foi Permanecer com aqueles que Lhe pertencem. O Senhor Jesus Disse que o Espírito Santo estaria conosco e em nós para que vençamos o nosso “eu”, o mal e o mundo.
… No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; Eu venci o mundo. João 16:33
O problema não é se sentir “desanimado” alguma vez. O problema começa quando o servo alimenta o sentimento de cansaço e frustração, e o interpreta como um sinal de que já não tem o Espírito Santo ou a Unção para realizar com excelência a Missão que Deus lhe confiou.
Por que isso acontece?
Pela experiência que tenho, na maioria dos casos, isso não acontece porque o Espírito Santo tenha Se afastado, o servo tenha pecado ou já não tenha “Unção” para realizar a Missão de ganhar almas no Altar, mas sim porque deixou de cuidar do mais importante:
-
Da Palavra: as Sagradas Escrituras nos capacitam para vencer todos os pensamentos, sentimentos e circunstâncias adversas à nossa fé e ao desenvolvimento da Obra de Deus.
-
Das almas: deixou de focar nas pessoas que continuam perdidas e na luta das poucas, muitas ou centenas de pessoas que dependem dele.
-
Validar a sua palavra: começou a ignorar a seriedade da sua palavra dada em Voto Solene de servir até o último suspiro, em todas as circunstâncias, lugar, hora ou dia.
O Espírito Santo Usou um dos Apóstolos que mais sofreu, Paulo, para exortar os cristãos do primeiro século:
… desenvolvei a vossa Salvação com temor e tremor… Filipenses 2:12
O foco do servo deve ser, sobretudo, preservar a sua comunhão com Deus, manter a sua consciência pura, limpa e permanecer fiel até o fim. Quando esse foco se perde, a mente começa a se ocupar com outras coisas, e surgem as comparações:
- Compara-se com outros Missionários ou Pastores.
- Compara-se com outra etapa do seu próprio Ministério.
- Compara-se com o desenvolvimento de outras igrejas.
- Compara-se com outros resultados.
- Compara-se com o tempo em que tinha menos responsabilidades e mais amizades.
E as comparações sempre produzem frustração.
Lembro-me de um Pastor em seus primeiros anos de Ministério; ele tinha menos responsabilidades administrativas e mais tempo para evangelizar, via muitos testemunhos e sentia um grande “entusiasmo” em cada Reunião.
Hoje ele é responsável por uma igreja maior e tem outras responsabilidades, enfrenta problemas complexos e precisa tomar decisões difíceis todos os dias. Chegou a pensar: “Antes eu tinha mais de Deus”, mas não necessariamente.
O que mudou não foi a Presença do Espírito Santo, o que mudou foram as circunstâncias, a etapa do Ministério e as responsabilidades.
Mas ele interpretou essas mudanças emocionais como mudanças espirituais; e isso é um erro grave.
Outro exemplo
Um Pastor participa de uma Reunião de Pastores com o Bispo Macedo, ouve uma mensagem maravilhosa, testemunhos extraordinários de outros que passaram por isso e superaram seus desafios e problemas; no entanto, em vez de se alegrar, começa a se comparar:
- “A minha igreja não está crescendo da mesma maneira.”
- “Não consigo formar tantos discípulos.”
- “Não obtenho os mesmos resultados que os outros.”
- “Talvez eu não esteja agradando a Deus, e Ele já não está comigo.”
Olha como a comparação produz uma mentira atrás da outra! Ele estava em paz, fazendo e dando o seu melhor, mas, a partir do momento em que se comparou, começou a duvidar daquilo que Deus já havia feito em sua vida para ser Usado.
Alguns ignoraram o perigo de olhar para trás; outros vivem presos ao passado:
“Aqueles tempos foram os melhores do meu Ministério.”
Mas Deus não nos Chamou para viver de lembranças; a Sua Glória se renova todos os dias.
Ele nos Chamou para permanecer fiéis como se fosse o último dia. Quem vive olhando para trás acaba deixando de cumprir o que Deus espera dele no presente; e o voto que fizemos não tem volta.
Nosso compromisso é olhar para a frente, com os olhos postos no Senhor Jesus, para Servi-Lo através do povo que O representa até o nosso último suspiro.
Maturidade espiritual
O Missionário ou o Pastor Selado com o Espírito Santo precisa aprender uma verdade que só a maturidade ensina:
Nem tudo o que penso ou sinto reflete a minha verdadeira condição espiritual.
Há dias de cansaço, há dias de muita pressão pessoal e externa, há dias de pouco entusiasmo. Isso faz parte da nossa humanidade.
O importante é que, mesmo nesses dias, a fé, a justiça e a misericórdia permaneçam firmes, e a consciência continue limpa diante de Deus.
A presença do Espírito Santo não se mede pela intensidade de uma emoção, mas por uma vida de obediência, fidelidade, santidade e perseverança.
Nunca alimente pensamentos de dúvida: se não há pecado oculto, rebeldia, desobediência deliberada ou uma consciência te acusando diante de Deus, esses pensamentos não vêm do Espírito Santo.
… embaixadores, pois, de Cristo, tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno. Efésios 6:16
Como deve ser a minha atitude?
Quando você tiver um dia difícil, não dê lugar às emoções nem leve em consideração as circunstâncias, os olhares ou os comentários; em vez disso, avalie a sua comunhão com Deus.
E pergunte-se:
- “A minha consciência está limpa?”
- “Continuo obedecendo à Palavra?”
- “Permaneço fiel ao Voto que fiz?”
- “Continuo buscando agradar a Deus mais do que aos homens?”
- “Quero que outros tenham a mesma Oportunidade que eu tive de conhecer a Verdade e o Salvador?”
Se a resposta for sim, então siga em frente. Não viva de comparações, do passado e nem se guie por sentimentos; viva pela fé.
Compartilho com vocês algumas passagens Bíblicas que Usei nos momentos mais difíceis da minha vida Cristã, Ministerial e Familiar:
Sobre vencer a si mesmo:
… mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado. 1 Coríntios 9:27
Paulo ensina que vencer a si mesmo envolve disciplina e autocontrole.
E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Gálatas 5:24
A vitória sobre si mesmo é crucificar os desejos carnais.
Sobre vencer o mal:
Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem. Romanos 12:21
A verdadeira vitória não é justificar o egoísmo, responder com violência ou pecado, mas com bondade e justiça.
Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais ficar firmes contra as ciladas do diabo […] para que possais resistir no dia mau… Efésios 6:11,13
A armadura espiritual é a ferramenta para vencer o mal.
Sobre vencer o mundo:
… No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; Eu venci o mundo. João 16:33
Jesus assegura que nEle temos vitória sobre as pressões e tentações do mundo.
Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? 1 João 5:4-5
A fé em Cristo é a força que nos permite superar o sistema mundial.
Em resumo, seria assim:
-
Vencer a si mesmo → Disciplina, domínio próprio e crucificar a carne.
-
Vencer o mal → Repreender o mal e usar a armadura espiritual.
-
Vencer o mundo → Responder com o bem, com fé em Jesus e confiança na sua vitória.
Nos vemos na IURD ou nas Nuvens.
Bispo Júlio Freitas



