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A mentira descoberta

12 de Novembro 2011

A mentira descoberta

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Eu tinha 16 anos e estava vivendo com meus pais no Instituto que meu avô  havia fundado, a 18 milhas da cidade de Durban, na África do Sul, em meio a plantações de cana-de-açúcar. Estávamos bem no interior do país e não tínhamos vizinhos. Assim, sempre nos entusiasmava, às  duas irmãs e a mim, poder ir à cidade visitar amigos ou ir ao cinema. Certo dia, meu pai me pediu que o levasse à cidade para assistir a uma conferência que duraria o dia inteiro, e eu me  apressei, de imediato, diante da oportunidade. Como iria à cidade, minha mãe deu-me uma lista de coisas do supermercado, as quais necessitava, e como iria passar todo o dia na cidade, meu pai me pediu que me encarregasse de algumas tarefas pendentes, Como levar o carro à oficina.

Quando me despedi de meu pai, ele me disse:
Nós nos veremos neste local às 5 horas da tarde e retornaremos à casa juntos.
Após, muito rapidamente completar todas as tarefas, fui ao cinema mais próximo. Estava tão concentrado no filme, um filme duplo de John Wayne, que me esqueci do tempo. Eram 5:30 horas da tarde, quando  me lembrei.

Corri à oficina, peguei o carro e corri até onde meu pai estava me esperando. Já eram quase 6 horas da tarde. Ele me perguntou com ansiedade:
– Por que chegaste tarde?
Eu me sentia mal com o fato e não lhe podia dizer que estava assistindo um filme de John Wayne. Então, eu lhe disse que o carro não estava pronto e que tive que esperar… Isto eu disse sem saber que meu  pai já havia ligado para a oficina. Quando ele se deu conta de que eu havia mentido, disse-me:

– Algo não anda bem, na maneira pela qual te tenho educado, que não te tem proporcionado confiança em dizer-me a verdade.
Vou  refletir sobre o que fiz de errado contigo. Vou caminhar as 18 milhas à casa e pensar sobre isto.
Assim, vestido com seu traje e seus sapatos elegantes, começou a caminhar até a casa, por caminhos que nem estavam asfaltados  nem iluminados. Não podia deixá-lo só. Assim, dirigi por 5 horas e meia atrás dele… Vendo meu pai sofrer a agonia de uma mentira estúpida que eu havia dito. Decidi, desde aquele momento, que nunca mais iria  mentir. Muitas vezes me recordo desse episódio e penso… Se ele me tivesse castigado do modo que castigamos nossos filhos… teria eu aprendido a lição? Não acredito… Se tivesse sofrido o castigo, continuaria fazendo o  mesmo… Mas, tal ação de não-violência foi tão forte que a tenho impressa na memória como se fosse ontem…

Espero ter colaborado em algo, Bjf

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5 comments
  1. Andreia Freitas

    Puxa muito bacana mesmo. Soube tbm de uma mae que depois de exaustivas vezes pedir para que seu filho nao subisse ao muro do quintal sob o perigo de se machucar, a criança ainda assim nao a obedecu, e num dado dia em que sua mae lhe pegou em cima do muro ela pegou um cipó e ao ver isso a criança desceu rapidamente e aos prantos pediu que nao lhe batesse. A mae por sua vez olhou em seus olhos e disse: EU NAO VOU LHE BATER, QUEM VAI BATER EM MIM É VC!!!!!!!

  2. Luciana Mendes - Cenáculo do Espírito Santo - Chelas

    Nestes momentos, a tristeza e a dor são de ambos. Hà que se analizarem ambas as partes e corrigir o que originou tal situação, para que não mais se repita. Deus nos Abençoe!

  3. Cidália

    É, meu pai me deu as maiores lições de vida, de moral na base do amor. Quando era para nos ensinar, ele sempre falava, isso deve ser assim, agora se você fizer o contrário terá de arcar com as consequências, responsabilizando-me sempre pelos meus actos. Lembro-me de quando ele ou minha mãe não estavam por perto, eu me lembrava das palavras deles e diante de uma decisão só pensava que não os queria decepcionar. Assim, fui sendo disciplinada e auto-disciplinando-me, sabendo que de todas as acções, a única responsável seria eu, e jamais poderia culpar os outros, pois a última palavra era a minha. Claro, errei muitas vezes, mas com todos esses erros aprendi e vou aprendendo a cada dia, e sei que quem nos ama, repreende e pelas suas experiências vê mais além! Cidália

  4. Silvana Nunes

    Tem um ditado que diz: mentiras tem pernas curtas. A palavra do nosso Deus diz: que o diabo é o pai da mentira...Muitas das vezes deparamos com situações que temos que decidi quem é o nosso Pai?...Uma grande lição nos dar esse relato. A decisão é de cada um de nós, o erro não está nos nossos pais e sim no nosso eu, no que somos para Deus...Na Fé Um abraço Bispo

  5. João Marques

    É uma boa lição. Cada caso é um caso. Para cada problema há uma solução. Não existe um medicamento que dá para todas as doenças. Antes do médico emitir uma receita, ele analisa o problema da pessoa e em função do diagnóstico ele indica o medicamento a tomar. Isto é inteligência. Quando a pessoa faz sempre a mesma coisa, ano após ano (sabendo que não resultou no ano anterior) É necessário saber qual a raiz do problema para depois resolver e sanar o problema para sempre. Quando a pessoa segue um caminho porque vai atrás dos outros é porque anda desorientada e nunca chega a lado nenhum.

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